No Nordeste, 48% dizem não votam em quem for contra o fim da jornada 6×1
2 de março de 2026
Redação

O debate sobre o fim da jornada de trabalho 6×1 — seis dias trabalhados para um de descanso — ganhou peso eleitoral no Nordeste e já desponta como tema estratégico para as eleições de 2026. É o que aponta levantamento da Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados, que revela impacto direto na intenção de voto dos eleitores da região.

De acordo com o estudo, 48% dos nordestinos afirmam que as chances de votar em um deputado ou senador diminuiriam caso o parlamentar se posicionasse contra a proposta. Desse total, 35% dizem que a probabilidade seria “muito menor” e 13% “um pouco menor”. O índice é o mais alto do país, superando a média nacional, de 44%, e também os percentuais registrados no Sudeste (46%), Norte (38%), Sul (37%) e Centro-Oeste (31%).

Por outro lado, apenas 15% afirmam que um posicionamento contrário à proposta aumentaria a chance de voto no candidato. Para 28%, o tema não interfere na decisão eleitoral, enquanto 10% não souberam responder.

O apoio à mudança na jornada também é expressivo. Segundo a pesquisa, 66% dos moradores do Nordeste defendem o fim da escala 6×1, percentual acima da média nacional, de 63%. Apenas 20% se posicionam contra a proposta. Outros 3% se declaram indiferentes e 10% não souberam opinar.

Apesar da adesão majoritária, o levantamento aponta baixo nível de conhecimento técnico sobre a proposta de emenda constitucional. Apenas 7% dos entrevistados na região afirmam compreender profundamente o tema, índice inferior à média nacional, de 12%. A maior parte admite acompanhar pouco o debate (46%) ou afirma nunca ter ouvido falar da proposta até o momento da pesquisa (46%).

O recorte por perfil político também revela diferenças. Entre os eleitores que votaram em Lula em 2022, 51% dizem que a chance de voto diminui caso o parlamentar se posicione contra a medida. Entre os que votaram em Jair Bolsonaro, esse percentual é de 39%.

Para Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, os dados indicam que a pauta é percebida de forma concreta pelo eleitor nordestino e tende a influenciar diretamente o cenário eleitoral de 2026, tornando-se peça relevante no tabuleiro político da região.

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