No Sertão, ALPB debate agricultura familiar

A Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB) debateu, nesta sexta-feira (17), durante audiência pública, no campus da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), no município de Sousa, as novas políticas públicas para a agricultura familiar que serão desenvolvidas pelo Governo do Estado.

O evento foi proposta pelo deputado Jeová Campos, presidente da Frente Parlamentar da Água e da Agricultura Familiar, e reuniu especialistas, autoridades e trabalhadores com o intuito de debater o uso racional das águas da transposição do Rio São Francisco, promovendo uma produção sustentável e sem agrotóxicos. “Ouvimos os trabalhadores e os sindicatos para poder compilar, formatar um projeto e entregar ainda nesse mês de junho ao governador, o que é o olhar e o sentir das comunidades rurais, das entidades representativas dos trabalhadores rurais e, assim, podermos otimizar os recursos destinados na Paraíba. A Assembleia cumpre um importante papel de mediar e tentar resolver essa problemática”, explicou Jeová.

O secretário de Estado da Agricultura Familiar e do Desenvolvimento do Semiárido, Luiz Couto, destacou que a agroecologia precisa ser debatida e implantada, principalmente, sem o uso de agrotóxicos, para garantir a saúde da população. “A agroecologia é um elemento importante para a alimentação e para a saúde do nosso povo. Os venenos estão matando cada vez mais as pessoas e o nosso solo. O veneno também penetra no solo e ele deixa de produzir ou produz coisas envenenadas. Tomamos uma decisão de que qualquer recurso que for implementado pela Secretaria do Desenvolvimento do Semiárido será para a agricultura agroecológica”, garantiu Luiz Couto.

Para o coordenador do Comitê de Energia Renovável do Semiárido, César Nóbrega, o debate promovido pela Assembleia representa a certeza e a necessidade de dialogar a respeito do fortalecimento do semiárido. Segundo ele, é extremamente importante elaborar políticas públicas que facilitem a convivência na região. “Precisamos repensar o semiárido e chamar o governo para que possamos rever um sistema produtivo. Vamos ter cada vez mais a intensidade da seca, que caminha para um clima árido, e a gente precisa rever todos os conceitos na área da agricultura e do sistema produtivo como um todo, para uma melhor convivência com o semiárido”, observou o coordenador, acrescentando que é necessário somar a ciência e o saber popular para manter o semiárido vivo.

O presidente da Associação de Assentamentos, Emílio Zapata, lembrou que o setor tem a responsabilidade de produzir bons alimentos, contribuindo com a saúde do povo brasileiro e, sobretudo, da população paraibana. A produção de alimentos saudáveis, para o presidente Emílio, é a garantia da melhora da qualidade de vida do povo. “É possível sim, oferecer uma alimentação sem veneno na plantação. Temos que mostrar para o povo que a agricultura sem agrotóxico é a solução saudável. Vamos procurar sempre melhorar a nossa produção e, por isso, a necessidade de incentivos”, argumentou Zapata.

O evento contou ainda com a participação de professores e alunos da UFCG, prefeitos de municípios da região, além de representantes da sociedade civil organizada.