ONU lança página sobre escravidão e comércio transatlântico de pessoas escravizadas
4 de agosto de 2026
Redação

A Organização das Nações Unidas (ONU) lançou uma versão em português da página do Programa de Divulgação sobre o Comércio Transatlântico de Pessoas Escravizadas e a Escravidão, ampliando o acesso de milhões de falantes da língua portuguesa a conteúdos voltados à preservação da memória, à educação e à conscientização sobre um dos maiores crimes contra a humanidade.

A iniciativa, coordenada pelo Departamento de Comunicação Global da ONU, reúne informações sobre a história do tráfico transatlântico de pessoas escravizadas, a resistência das populações africanas e afrodescendentes e os impactos duradouros da escravidão nas sociedades contemporâneas.

Criado em 2007 por meio da Resolução 62/122 da Assembleia Geral das Nações Unidas, o programa promove pesquisas, materiais educativos e ações de memória para fortalecer o reconhecimento das consequências históricas da escravidão, do racismo e da discriminação racial, além de destacar as contribuições históricas, culturais e sociais das populações africanas e afrodescendentes.

Segundo dados da UNESCO, cerca de 12,5 milhões de africanos foram deportados à força durante o comércio transatlântico de pessoas escravizadas entre os séculos XVI e XIX. Desse total, aproximadamente 5 milhões foram levados para o Brasil, tornando o país o principal destino desse sistema de exploração humana nas Américas.

Entre os destaques da nova plataforma está a Arca do Retorno, memorial permanente instalado na sede da ONU, em Nova Iorque, dedicado às vítimas da escravidão e do tráfico transatlântico. O monumento convida visitantes a refletirem sobre os legados contemporâneos do racismo e da discriminação. Em 2025, o memorial completou dez anos e recebeu, entre os visitantes, a cantora brasileira IZA.

O portal também reúne recursos multimídia, materiais educativos e informações sobre iniciativas das Nações Unidas voltadas à promoção da igualdade racial, dos direitos humanos e da justiça histórica. Outro destaque é o Dia Internacional em Memória das Vítimas da Escravidão e do Comércio Transatlântico de Pessoas Escravizadas, celebrado anualmente em 25 de março, data dedicada à lembrança das vítimas e ao fortalecimento da luta contra o racismo.

Em mensagem alusiva à data, o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que “o tráfico transatlântico de pessoas escravizadas foi um crime contra a humanidade que atingiu o cerne da dignidade humana, separou famílias e devastou comunidades”.

Já na mensagem pelo Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial, em março de 2026, Guterres alertou que o racismo continua presente em todo o mundo e permanece alimentado pelos legados da colonização, da escravidão e da opressão, refletindo-se nas desigualdades econômicas, sociais e políticas e em práticas discriminatórias.

A página em português também destaca ações culturais desenvolvidas pelas Nações Unidas, como a exposição “Atlântico Vermelho/Red Atlantic”, realizada em Genebra, que apresentou obras de artistas brasileiros em diálogo com imagens da diáspora africana.

Com o lançamento da versão em português, a ONU reforça o compromisso com a preservação da memória histórica, a promoção da verdade, da justiça e dos direitos humanos, além de ampliar o acesso à informação sobre os legados da escravidão para os países de língua portuguesa e contribuir para o enfrentamento do racismo e da discriminação em escala global.

Compartilhe: