O Brasil construiu uma das agriculturas mais competitivas do mundo. Somos líderes na produção e exportação de diversos alimentos, resultado da combinação entre pesquisa, empreendedorismo, inovação tecnológica e capacidade de adaptação do produtor rural.
Entretanto, esse desenvolvimento não ocorreu de maneira uniforme. Enquanto algumas regiões consolidaram cadeias produtivas altamente organizadas, outras ainda enfrentam dificuldades para agregar valor à produção, acessar mercados mais exigentes, ampliar a industrialização e elevar a renda dos produtores.
Diversos fatores contribuem para esse cenário: infraestrutura, logística, disponibilidade de crédito, assistência técnica, pesquisa agropecuária e políticas públicas. Mas existe um componente que, muitas vezes, recebe menos atenção do que merece: o cooperativismo.
Ao longo das últimas décadas, estados como Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul transformaram o cooperativismo em um verdadeiro instrumento de desenvolvimento econômico e social. Mais do que comercializar a produção de seus associados, as cooperativas passaram a oferecer assistência técnica, adquirir insumos em escala, investir em armazenagem, agroindustrialização, inovação, capacitação e acesso a mercados internacionais.
Estudo da FIPE, em parceria com o Sistema OCB, aponta que municípios com cooperativas apresentam, em média, melhores indicadores de renda e emprego. O Censo Agropecuário do IBGE também evidencia uma participação muito mais expressiva de produtores cooperados na Região Sul do que no Nordeste, revelando o potencial de expansão desse modelo.
Isso não significa que o cooperativismo seja a única explicação para as diferenças de desenvolvimento entre as regiões brasileiras. Entretanto, a experiência nacional e internacional demonstra que cooperativas bem estruturadas ampliam a escala de produção, reduzem custos, facilitam o acesso ao crédito, incentivam a inovação e fortalecem a inserção dos produtores em mercados mais competitivos.

O Nordeste reúne uma agricultura familiar dinâmica, importantes polos de fruticultura irrigada, pecuária leiteira, caprinovinocultura, apicultura, aquicultura e pesca. Emmuitas cadeias produtivas, porém, os produtores ainda comercializam de forma individual, reduzindo seu poder de negociação.
Na Paraíba, fortalecer o cooperativismo representa uma oportunidade estratégica para impulsionar cadeias como leite, frutas, mel, pescado, horticultura e agricultura familiar.
Integradas às instituições de pesquisa, assistência técnica, crédito e inovação, as cooperativas podem contribuir para dinamizar economias locais, gerar oportunidades para os jovens no campo e ampliar a competitividade da produção.
Mais do que criar novas cooperativas, o desafio é fortalecer as existentes, investir em governança, profissionalização da gestão, formação de lideranças, intercooperação e agregação de valor por meio da agroindustrialização.
O cooperativismo não deve ser compreendido apenas como um modelo de organização econômica. Trata-se de uma estratégia de desenvolvimento regional, capaz de conciliar eficiência, inclusão produtiva e distribuição de oportunidades.
Ao discutirmos o futuro da agropecuária nordestina, talvez a pergunta mais importante não seja se devemos investir no cooperativismo, mas como construir um ambiente em que ele possa florescer de forma sustentável e competitiva. A experiência dos estados mais desenvolvidos demonstra que a cooperação organizada não substitui o empreendedorismo individual; ao contrário, ela o fortalece.
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Por Rômulo Araújo Montenegro Professor Universitário, Consultor Empresarial, Produtor Rural e Ex-Secretário de Estado da Agricultura e Pecuária da Paraíba.

Referências essenciais – FIPE / Sistema OCB – Impacto do Cooperativismo na Economia Brasileira. – Anuário do Cooperativismo Brasileiro – Sistema OCB. – IBGE – Censo Agropecuário. – Embrapa, MAPA, Ipea, Banco Central e FAO (dados complementares para a versão ampliada)
Jornalista, radialista e advogado, formado na UFPB, Hermes de Luna tem passagens nos principais veículos de comunicação da Paraíba. É MBA em Marketing Estratégico e em mídias digitais. Apresentador e editor de TV e rádio, também atuou na editoria de portais e sites do estado. Ganhador de vários prêmios de jornalismo, na Paraíba e no Brasil.