O Brasil registrou, pelo segundo ano consecutivo, avanço na alfabetização de crianças aos 7 anos. Em 2024, 59,2% dos estudantes do 2º ano do Ensino Fundamental estavam alfabetizados, o que representa um crescimento de 3,3 pontos percentuais em relação ao ano anterior. Em termos absolutos, isso representa mais de 57 mil crianças com os conhecimentos esperados para a idade.
Os dados são do Indicador Criança Alfabetizada (ICA) de 2024, divulgados pelo Ministério da Educação (MEC) nesta sexta-feira, 11. O ICA é uma ferramenta fundamental que permite monitorar o avanço da alfabetização no Brasil. Esses dados mostram que houve melhoria em relação ao ano anterior (2023), que apontou 56% das crianças estavam alfabetizadas, embora a meta de 59,9% estabelecida pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), em 2024, ainda não tenha sido alcançada.
Em uma análise geral de todos os estados brasileiros, 11 bateram as metas esperadas para esse ano – CE, GO, MG, ES, MT, PI, SP, PB, MS, TO, SE. E 18 estados avançaram em relação ao ano anterior – MG, MS, PI, SE, TO, SP, GO, MT, AP, PB, AL, ES, MA, RJ, RN, PE, CE, SC.

Os resultados revelam uma tendência significativa e consistente de crescimento nos níveis de alfabetização no Brasil, sinalizando avanços importantes no esforço coletivo pela garantia do direito de aprendizagem na idade certa. Essa evolução, ainda que parcial, demonstra que as políticas públicas externas à alfabetização, especialmente aquelas elaboradas em regime de colaboração entre estados e municípios, produzem efeitos concretos.
O Ceará é novamente o estado com maior percentual de crianças alfabetizadas na idade certa (84,5%). Os cinco estados com resultados ainda solicitados são: BA, SE, RN, RS e AP. Mas vale destacar que Amapá e Sergipe tiveram crescimentos interessantes, sendo que o Amapá cresceu 5,0 pp, em relação a 2023; e Sergipe 7.0 pp. De acordo com o MEC, os resultados do Rio Grande do Sul foram impactados pela crise climática.
Fatores socioeconômicos
Entre os 10 estados com melhores resultados de ICA realizados: CE, GO, MG, ES, PR, RO, SC, PE, MT, PI – seis deles estão também entre os 10 maiores PIBs per capita do país – GO, MG, ES, PR, SC. Entretanto, três deles estão entre os 10 menores PIBs per capita – CE, PE, PI.
“Isso nos mostra que as condições socioeconômicas dos estados podem ter um efeito positivo na aprendizagem, como revela o ICA, mas também evidencia que é possível alcançar excelentes resultados mesmo em condições de maior vulnerabilidade”, observa Maria Slemenson, superintendente do Instituto Natura Brasil, organização que atua em parceria com a Fundação Lemann, a Associação Bem Comum a Parceria pela Alfabetização em Regime de Colaboração (PARC) na promoção da educação pública de qualidade.
O ICA acompanha a percentagem de crianças alfabetizadas ao final do 2º ano do ensino fundamental, com base na análise dos resultados anuais dos sistemas estaduais de avaliação. Ele utiliza os critérios definidos pela pesquisa Alfabetiza Brasil, conduzida pelo Inep, que orientam a construção de uma política nacional para a alfabetização infantil.
Esse indicador é uma ferramenta estratégica fundamental para nortear políticas públicas, orientar investimentos e fortalecer o compromisso com a melhoria da educação básica. Para alcançar o objetivo de alfabetizar todas as crianças até 2030, o Inep distribuiu metas globais e específicas para estados e municípios. A iniciativa também permite monitorar o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, do MEC, acompanhar o avanço da alfabetização no país e garantir o direito de toda criança de estar alfabetizada até o fim do 2º ano do ensino fundamental.
Para alcançar esse padrão, os estudantes devem demonstrar competências como a leitura de palavras, frases e textos curtos; a localização de informações explícitas em textos com até seis linhas, como bilhetes, crônicas e fragmentos de contos infantis; além da interpretação de conteúdos que combinam linguagem verbal e não verbal.
“O ICA nos permite identificar os desafios da alfabetização com precisão. É com dados concretos e objetivos comuns que se podem ter uma visão ampla e exata para transformar a realidade de milhões de crianças no país. Apesar dos desafios que ainda persistem, os dados apontam que o Brasil está avançando na direção certo e o cenário reforça a importância de seguir fortalecendo o regime de cooperação e as ações estruturantes. O acesso a uma educação de qualidade é um direito universal inegociável.”, afirma Maria Slemenson, superintendente do Instituto Natura. Brasil.
Uma criança não alfabetizada na idade tem certas consequências profundas em seu percurso escolar, como o aumento da evasão escolar, maiores índices de repetência, piora nos indicadores de aprendizagem e, a longo prazo, prejuízos no futuro das crianças e no desenvolvimento social e econômico do país.
“Com os olhos voltados para esse problema, estados e municípios brasileiros estão planejando e implementando políticas públicas sólidas, sistêmicas e bem estruturadas para a alfabetização na idade certa. A atuação éda levando em consideração sistemas pedagógicos, fatores de reconhecimento, incentivo e engajamento político”, explica Veveu Arruda, diretor executivo da Associação Bem Comum.
Outro ponto fundamental é a estruturação de mecanismos de monitoramento, que permitam acompanhar os avanços e identificar os desafios ao longo do percurso. O engajamento pelo diálogo também é priorizado, com estratégias de mobilização, divulgação e fortalecimento da visibilidade dos programas nos territórios.
A cooperação entre estados e municípios faz o sucesso das ações, e depende do compromisso técnico e político das lideranças, como governadores, prefeitos e secretários de educação, que devem estar plenamente envolvidos no processo.
“A alfabetização na idade adequada é um direito das crianças, prevista na BNCC (Base Nacional Comum Curricular). Priorizar esse aprendizado é incentivar o desenvolvimento do aluno ao longo de toda a sua jornada escolar, pois todo estudante precisa aprender a ler para, depois, ler para aprender. Nesse sentido, a alfabetização é uma condição primária para acessar o mundo do conhecimento e não ter suas oportunidades futuras limitadas. Por isso, é muito importante celebrar esse avanço e o compromisso nacional com essa agenda”, afirma Daniela Caldeirinha, Vice-Presidente de Educação da Fundação Lemann.
Já Veveu Arruda, diretor-executivo da Associação Bem Comum, explica que com os olhos voltados para esse problema, estados e municípios brasileiros estão previstos e implementando políticas públicas sólidas, sistêmicas e bem estruturadas para a alfabetização na idade certa. “A atuação é orientada levando em consideração sistemas pedagógicos, fatores de reconhecimento, incentivo e engajamento político”, explica Arruda.
O fortalecimento da aprendizagem se dá por meio da articulação entre currículo, avaliação, materiais didáticos, formação de professores e capacitação de gestores escolares, consolidando uma rede de apoio sólida e integrada para garantir o direito de aprender a todas as crianças.
Sobre o Instituto Natura
Criado em 2010, o Instituto Natura também transforma a educação pública, garantindo uma aprendizagem de qualidade para todas as crianças e jovens nos seis países da América Latina em que está presente (Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México e Peru). Também como forma de atuação, se dedica ao desenvolvimento educacional das Consultoras de Beleza Natura e Avon e trabalha em conjunto com numerosos parceiros no poder público, no terceiro setor e na sociedade civil. Desde 2024, o instituto ampliou sua atuação para a defesa dos direitos fundamentais das mulheres, desenvolvendo iniciativas voltadas à conscientização sobre o câncer de mama e ao combate à violência contra meninas e mulheres por meio do apoio da Avon, que historicamente tem sido uma parceira comprometida e continua apoiando as ações do Instituto Natura nessa causa.
Sobre a Fundação Lemann
A Fundação Lemann é uma organização filantrópica familiar, independente e apartidária, que desde 2002 fortalece a educação pública e apoia o desenvolvimento de lideranças diversas e representativas. Juntos, somamos forças com organizações, especialistas e Centros de Pesquisa, investimos em iniciativas inovadoras e produzimos conhecimento aplicado para contribuições mudanças sistêmicas. Até 2031, nossas ações estão focadas na alfabetização no tempo adequado, na recomposição das aprendizagens com equidade racial e na conexão de lideranças comprometidas com a transformação do Brasil. Para saber mais sobre a Fundação Lemann acesse o site .
Sobre a Associação Bem Comum
A Associação Bem Comum (Bem Comum), fundada em 2018, é uma organização da sociedade civil que tem o objetivo de contribuir para elaborar e/ou executar políticas públicas em áreas que promovam a alfabetização de crianças na idade certa. É formada por profissionais especializados em gestão pública com atuação na rede de escolas municipais e na gestão da educação em diversos estados. Para mais informações: Link
Jornalista, radialista e advogado, formado na UFPB, Hermes de Luna tem passagens nos principais veículos de comunicação da Paraíba. É MBA em Marketing Estratégico e em mídias digitais. Apresentador e editor de TV e rádio, também atuou na editoria de portais e sites do estado. Ganhador de vários prêmios de jornalismo, na Paraíba e no Brasil.