Considerando os diferentes graus de insegurança alimentar, o levantamento constatou que a maior redução na quantidade de domicílios com insegurança alimentar ocorreu naqueles em situação grave, com variação de -34,8% entre 2023 (89 mil) e 2024 (58 mil), correspondendo a uma variação absoluta de -31 mil domicílios. Assim, a proporção de domicílios com insegurança alimentar grave, no total dos domicílios paraibanos, em 2024 (3,9%) teve queda de 2,1 pontos percentuais frente a 2023(6%). No ano passado, o indicador paraibano foi superior à média do Brasil (3,1%), mas inferior à do Nordeste (4,4%), onde a Paraíba se destaca com o melhor resultado, junto ao Rio Grande do Norte (3,9%).
Houve uma variação de –33,9% (-74 mil pessoas) no contingente de residentes nesses domicílios, entre 2023 (218 mil) e 2024 (144 mil pessoas), fazendo com que a participação desse grupo no total da população residente caísse de 5,3% para 3,5%, respectivamente, ficando esse último resultado como o 2º melhor da região, atrás apenas do Piauí (3,3%).
A insegurança alimentar grave se configura quando a experiência da fome passa a ser de fato vivenciada no domicílio, havendo redução da quantidade de alimentos consumida também pelas crianças, como resultado da falta de comida.
Em outros 115 mil domicílios paraibanos (7,8% do total domicílios), nos quais moravam 313 mil pessoas (7,6% do total de residentes), em 2024, foi constatada a condição de insegurança alimentar moderada, indicando que neles havia redução da quantidade de alimentos entre os adultos ou ruptura nos padrões de alimentação, como resultado da falta de comida. Quando comparado com 2023 (127 mil domicílios; 376 mil moradores), constatou-se redução de 9,4% (-12 mil) no total de domicílios e de 16,8% (-63 mil) no total de pessoas nessa situação.
Nos níveis nacional e regional, a proporção de domicílios nessa situação era menor, de 4,5% e 7,5%, respectivamente. No ranking das unidades da federação, a Paraíba se destaca com a 5ª maior proporção do país, menor apenas que as do Pará (10,1%), Roraima (9,2%), Bahia (8,5%) e Piauí (8,1%).
Já a proporção estadual de domicílios em situação de insegurança alimentar leve, diminuiu de 21,5%, em 2023, para 20,7%, em 2024. O indicador estadual para 2024 ficou acima do nacional (16,4%), mas abaixo do regional (22,5%). Além disso, foi o 3º menor do Nordeste, superior apenas aos do Rio Grande do Norte (19,3%) e Ceará (19,8%).
Esse último indicador representa 308 mil domicílios, onde se estimava residir 23,2% (959 mil pessoas) da população paraibana. A insegurança alimentar leve ocorre quando há preocupação ou incerteza quanto ao acesso à comida no futuro, bem como inadequação da qualidade dos alimentos, devida a estratégias voltadas para o não comprometimento da quantidade.
Jornalista, radialista e advogado, formado na UFPB, Hermes de Luna tem passagens nos principais veículos de comunicação da Paraíba. É MBA em Marketing Estratégico e em mídias digitais. Apresentador e editor de TV e rádio, também atuou na editoria de portais e sites do estado. Ganhador de vários prêmios de jornalismo, na Paraíba e no Brasil.