Partidos, Congresso e Presidente da República têm piores índices de desconfiança dos brasileiros
29 de julho de 2026
Redação

Índice de Confiança Social (ICS) 2026, estudo realizado entre 4 e 8 de julho com 2.000 entrevistados em 130 municípios brasileiros, registra 55 pontos em uma escala de 0 a 100. O indicador resulta da combinação da confiança depositada em instituições e grupos sociais. O estudo é feito desde 2009, permitindo uma análise longitudinal das tendências e variações, e atualiza o cenário social contemporâneo do Brasil.

O ICS 2026 revela que a confiança dos brasileiros continua mais forte em instituições associadas à proteção, educação e convivência social, enquanto as organizações ligadas à política permanecem entre as menos confiáveis do país. Os resultados mostram ainda, que a confiança dos brasileiros segue significativamente maior nas pessoas e grupos sociais próximos (63 pontos) do que nas instituições (54 pontos).

Corpo de Bombeiros permanece na liderança

Pelo 17º ano consecutivo, o Corpo de Bombeiros ocupa a primeira posição do ranking de confiança, alcançando 86 pontos, consolidando-se como a instituição de maior credibilidade entre os brasileiros.

Na sequência aparecem:

Escolas públicas: 68 pontos

Polícia Federal: 66 pontos

Igrejas: 64 pontos

Forças Armadas: 63 pontos

Polícia: 61 pontos

Empresas: 59 pontos


Também aparecem em posição intermediária as organizações da sociedade civil (55 pontos), os meios de comunicação, o sistema público de saúde, os bancos e o Ministério Público, todos com 54 pontos.

Instituições políticas seguem nas últimas posições

O estudo mostra que as instituições diretamente ligadas ao sistema político continuam enfrentando os maiores níveis de desconfiança da população.

Os piores resultados de 2026 são:

Partidos políticos: 30 pontos

Congresso Nacional: 34 pontos

Presidente da República: 42 pontos

Sindicatos: 42 pontos

Governo Federal: 46 pontos

Sistema eleitoral: 48 pontos

Prefeituras (governo da cidade onde mora): 48 pontos

Pela primeira vez incluídos na pesquisa, os Tribunais de Contas do Brasil estreiam com 49 pontos, resultado semelhante ao obtido pelo Poder Judiciário.

Confiança varia entre segmentos da população
As diferenças sociodemográficas observadas no levantamento indicam que a confiança institucional é influenciada por fatores como classe, escolaridade, região, faixa etária e religião.

Classe social: os maioresníveis de confiança institucional sãoobservados entre os entrevistados das classes D/E (58 pontos). A classe C registra 53 pontos enquanto a classe AB assinala 51 Já na confiança em pessoas e grupos sociais, a classe A/B apresenta o resultado mais elevado (67 pontos), seguida pela classe C (62 pontos) e D/E (59 pontos).

Região: o Nordeste apresenta o maior Índice de Confiança Social do país, com 59 pontos, seguido pelo Sul (56 pontos). Norte/Centro-Oeste e Sudeste registram índices de 54 e 53 pontos, respectivamente. Os nordestinos também demonstram maior confiança em instituições políticas na comparação com as demais regiões do país, como sistema eleitoral (57), Governo Federal (55), Presidente da República (54), Congresso Nacional (38)

Idade: os mais jovens, entre 16 e 24 anos, registram o maior nível de confiança institucional (56 pontos) e apresentam avaliações relativamente mais positivas para organizações da sociedade civil (64) e bancos (62). Já os brasileiros com 60 anos ou mais destacam-se pelos maiores níveis de confiança em pessoas próximas, especialmente familiares (83) e vizinhos (65).

Escolaridade: a confiança institucional é mais elevada entre entrevistados com ensino fundamental (57 pontos), diminuindo entre aqueles com ensino médio (52 pontos) e superior (51 pontos).

Religião: os católicos apresentam os maiores níveis de confiança institucional (57 pontos), enquanto evangélicos e entrevistados de outras religiões ou sem religião, 51 pontos Entre os evangélicos, as igrejas alcançam um dos maiores níveis de confiança observados na pesquisa, com 72 pontos.

Confiança nas relações pessoais segue superior àconfiança nas instituições.

Entre os grupos sociais avaliados, a confiança é mais elevada. As pessoas da própria família registram 80 pontos, seguidas pelos amigos (63 pontos), vizinhos (55 pontos) e brasileiros em geral (52 pontos).

Os resultados reforçam uma tendência histórica observada pelo ICS: os brasileiros mantêm níveis elevados de confiança nos círculos pessoais mais próximos, enquanto instituições políticas e partidárias continuam enfrentando dificuldades para conquistar credibilidade junto à população.

Embora o Índice de Confiança Social tenha permanecido relativamente estável nos últimos anos, o estudo evidencia que a reconstrução da confiança institucional, especialmente na esfera política, segue sendo um dos principais desafios para a sociedade brasileira.

“O estudo revela que o Brasil não é um país sem confiança. Os brasileiros seguem confiando fortemente em pessoas próximas e em instituições associadas ao cuidado, à proteção e à educação. O desafio continua sendo ampliar essa confiança para a esfera institucional epolítica”, afirma Márcia Cavallari, diretora da Ipsos-Ipec.

Sobre a Pesquisa

Pesquisa quantitativa realizada a partir de entrevistas domiciliares, face a face, com o objetivo de levantar o nível de confiança dos brasileiros sobre as instituições e grupos sociais. O levantamento aconteceu entre os dias 4 e 8 de julho de 2026, quando foram realizadas 2000 entrevistas, em 130 municípios brasileiros. A amostra foi elaborada com base em dados do Censo 2022 e PNADC 2024, com controle de cotas pelas variáveis sexo, idade, escolaridade, raça/cor e ramo de atividade. O nível de confiança da pesquisa é de 95%, e a margem de erro máxima estimada para o total da amostra é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos.

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