Uma pesquisa iniciada pelo Instituto Datafolha a pedido do Movimento Pessoas à Frente mostrou que 89% da população confia mais no Estado se as pessoas que trabalham em cargas de chefia e liderança em governos passam por processos melhores de seleção . Além disso, o estudo “Opinião dos brasileiros sobre a Gestão de Pessoas e Lideranças no Setor Público” indicou que 84% dos entrevistados afirmaram que esses líderes são os principais responsáveis pela qualidade dos serviços públicos .
Ainda segundo o estudo, 92% dos brasileiros acreditam que as lideranças no setor público deveriam ser avaliadas com base no desempenho de suas equipes. Além disso, 89% deles declaram que os dados referentes a esses servidores , como sexo, idade, experiências profissionais e remunerações, deveriam estar à disposição da população.
A pesquisa foi realizada com 2.008 pessoas, em cidades de diferentes portes de todas as regiões do Brasil. As entrevistas foram feitas de forma presencial, por meio de questionário estruturado, entre os dias 09 e 12 de junho de 2025. A íntegra do levantamento será divulgada na próxima semana, mostrando um panorama completo sobre a percepção da população em relação à gestão de pessoas no Brasil.
Política Nacional de Gestão de Lideranças em Governos
O papel das lideranças no setor público é fundamental para a garantia da oferta de serviços mais eficazes e com mais qualidade à população. Com base nessa visão, o Movimento Pessoas à Frente elaborou uma proposta de texto para uma Política Nacional de Gestão de Lideranças em Governos . Na última quarta-feira (09.07), o documento foi entregue ao deputado federal Pedro Paulo (PSD-RJ), coordenador do GT da Reforma Administrativa da Câmara dos Deputados. O objetivo é contribuir com a construção da proposta de Reforma Administrativa, que está prevista para ser entregue pelos parlamentares ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), na próxima terça-feira (15.07).
Atualmente, mais de 75% dos países pertencentes à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) utilizam práticas especiais para a gestão de lideranças públicas, considerando que essa abordagem pode levar a uma maior efetividade do governo. Porém, o Brasil ainda não possui uma regulamentação específica para essa classe de servidores. As lideranças em governos ocupam diferentes posições destinadas às atribuições de direção e chefia, de livre nomeação e exoneração pelo Presidente, Governadores e Prefeitos São cargos que comandam autarquias e fundações públicas; dirigem setores do governo, comandando equipes, projetos e entregando serviços; podem ser diretores de equipamentos públicos que oferecem serviços diretamente ao cidadão como hospitais e escolas etc. diretores de escola, dentre outros.
“Governos que contam com Lideranças bem qualificadas, diversas e engajadas garantem os melhores serviços e políticas públicas para toda a população. O Brasil precisa avançar com políticas específicas nessa direção, fortalecendo o Estado e resgatando a confiança da população na administração pública.”, destaca Jessika Moreira, diretora-executiva do Movimento Pessoas à Frente.
Diante disso, a proposta apresentada pelo Movimento sugere a criação do Sistema Nacional de Lideranças, estruturado com o objetivo de estabelecer procedimentos específicos para a pré-seleção, gestão de desempenho e desenvolvimento de lideranças no Poder Executivo. A partir desse sistema, será criada uma estrutura institucional composta por uma Política Nacional de Lideranças, um Conselho Nacional de Lideranças e um Portal Nacional de Lideranças.
O projeto estabelece, ainda, a criação do Sistema Federal de Lideranças no âmbito da União e destaca que as posições de livre nomeação do sistema no Executivo Federal devem ser selecionadas segundo as novas regras de formação gradual para alcançar 100% dessas posições nos próximos quatro anos. A partir do início da vigência da lei, e da instauração do Conselho Nacional de Lideranças, o objetivo é que estados e municípios passem também a compor o Sistema Nacional de Lideranças, editando suas próprias leis de adesão.
“A proposta de um sistema de busca inclui as três esferas de governo neste novo paradigma, trazendo estados e municípios para a construção conjunta de um serviço público melhor para o país. A União, com maior capacidade técnica instalada, pode liderar a institucionalização do processo e auxiliar a dar visibilidade às experiências regionais e municipais que já existem. Já temos como ativo muitos anos de concurso público consolidado, porém nenhum avanço em políticas para lideranças. A pesquisa nos mostra que, não apenas em comparação com outros países, mas levando em conta as expectativas da população, já passou da hora de avançomos nesse sentido.” avalia Cibele Franzese, membro do Movimento Pessoas à Frente e professora da FGV EAESP.
Sobre o Movimento Pessoas à Frente
O Movimento Pessoas à Frente é uma organização da sociedade civil, plural e suprapartidária, que elabora coletivamente diretrizes para uma gestão mais eficaz do Estado brasileiro. Com base em evidências, ajuda a construir e viabilizar propostas para aperfeiçoar políticas públicas de gestão de pessoas no setor público, com foco em lideranças. A rede de membros do Movimento Pessoas à Frente reúne especialistas, acadêmicos, parlamentares, integrantes dos poderes públicos federal e estadual, sindicatos e terceiro setor, que agregam à rede visões políticas, sociais e econômicas plurais.
Jornalista, radialista e advogado, formado na UFPB, Hermes de Luna tem passagens nos principais veículos de comunicação da Paraíba. É MBA em Marketing Estratégico e em mídias digitais. Apresentador e editor de TV e rádio, também atuou na editoria de portais e sites do estado. Ganhador de vários prêmios de jornalismo, na Paraíba e no Brasil.