O governo federal vai incluir no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027 a previsão de um aporte de R$ 6 bilhões nos Correios. Os recursos deverão reforçar o caixa da estatal e dar continuidade ao plano de reestruturação financeira e operacional iniciado no fim de 2025.
A medida foi anunciada neste domingo (30) pelos ministros das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho; da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck; e do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti.
A previsão de aporte integra o cumprimento do acordo de empréstimos firmado no final de 2025. O PLOA 2027 será encaminhado ao Congresso Nacional nesta segunda-feira (31).
Segundo os ministros, a injeção de recursos busca garantir liquidez aos Correios durante o processo de recuperação, proporcionando maior estabilidade para a estatal negociar com clientes e fornecedores e avançar nas medidas destinadas à retomada de resultados financeiros positivos.
O anúncio ocorre após a divulgação do balanço referente ao segundo trimestre de 2026. De acordo com os dados apresentados pela empresa, houve melhora no perfil de endividamento, com alongamento dos prazos e redução dos custos financeiros.
Os Correios encerraram o primeiro semestre sem empréstimos com vencimento no curto prazo. A empresa também quitou uma operação considerada mais onerosa e conseguiu ampliar o prazo de sua dívida de 18 para 180 meses, equivalente a 15 anos.
O processo de ajuste também atingiu as despesas operacionais. No primeiro semestre, os custos dos serviços prestados pelos Correios somaram R$ 7,6 bilhões, resultado 14% inferior ao valor previsto no orçamento da companhia para o período.
As despesas com pessoal apresentaram redução de aproximadamente 4%, movimento atribuído aos efeitos do Plano de Demissão Voluntária (PDV).
Outro indicador destacado pelo governo foi o EBITDA, que mede o desempenho operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização. O resultado ficou R$ 910 milhões, ou 18%, melhor do que o previsto para o período.
Apesar dos avanços, o governo considera que a manutenção da liquidez continua sendo necessária para que a empresa consiga completar sua reestruturação e recuperar sua capacidade financeira.
O aporte de R$ 6 bilhões previsto para 2027 deverá funcionar, portanto, como uma das principais fontes de sustentação financeira dos Correios durante essa etapa do plano.
Em manifestação conjunta, os três ministros responsáveis pelo acompanhamento da estatal afirmaram que a garantia de recursos tem permitido a recuperação operacional e a melhora do perfil da dívida. A expectativa do governo é que, com o novo aporte, os Correios ganhem maior estabilidade financeira para avançar na reestruturação e buscar novamente resultados positivos.
Jornalista, radialista e advogado, formado na UFPB, Hermes de Luna tem passagens nos principais veículos de comunicação da Paraíba. É MBA em Marketing Estratégico e em mídias digitais. Apresentador e editor de TV e rádio, também atuou na editoria de portais e sites do estado. Ganhador de vários prêmios de jornalismo, na Paraíba e no Brasil.