População indígena tem crescimento em áreas urbanas e rurais da PB
28 de dezembro de 2024
Redação

Na Paraíba, 64,2% do aumento absoluto da população indígena residente na Paraíba entre os Censo Demográficos de 2010 (25.043) e 2022 (30.140) ocorreu em contexto urbano, sendo que 85,3% desse aumento ocorreu fora de terras indígenas, conforme apontou o “Censo Demográfico 2022: Indígenas – principais características das pessoas e dos domicílios, por situação urbana ou rural do domicílio”, divulgados nesta quinta-feira (19), pelo IBGE. Para a pesquisa, foram considerados como indígenas todos aqueles que se identificaram como tal durante a aplicação do questionário.

Quase todos os recortes de localização e situação de domicílio apresentam variação absoluta positiva de população indígena residente entre os dois censos demográficos, denotando que a variação de população indígena ocorreu de forma espraiada pelo território estadual, com destaque para os grupos de população residente em domicílios fora de terras indígenas e tendo como exceção o grupo de população indígena residente dentro terra indígena em contexto urbano que, em certo sentido, pode ser atribuído à implementação de aperfeiçoamentos metodológicos na identificação de áreas urbanas e rurais, bem como na delimitação dos territórios indígenas. 

Os dados do Censo Demográfico 2022 revelaram que 56,4% (16.991) da população indígena estadual residia em contexto urbano, o que representa um aumento de 3.270 pessoas indígenas residindo em contexto urbano em relação ao verificado em 2010, quando foram contabilizadas 13.721 pessoas indígenas residindo em situação urbana (54,8% do total).

O levantamento contabilizou 13.149 indígenas residindo em situação rural (43,6% do total estadual), o que representa um aumento de 1.827 pessoas indígenas residindo em situação rural em relação a 2010, quando foram contabilizadas 11.322 pessoas indígenas residindo em situação rural (45,2% da população indígena).

Como seria de esperar, o levantamento constatou que a distribuição dos indígenas residentes em áreas urbanas (56,4%) e rurais (43,6%) se diferencia muito da população total residente no estado, onde 79,6% reside em contexto urbano e 20,4%, em contexto rural, em 2022.

Quando se desagrega o total de pessoas, por localização do domicílio, entre urbano e rural, e sua localização dentro ou fora de terras indígenas, identifica-se que, em termos relativos, o total de pessoas indígenas residindo em situação urbana e dentro de terras indígenas teve queda de 14,5 pontos percentuais (p.p.), tendo passado de 54,1% dos indígenas em situação urbana e dentro de terras indígenas em 2010 (7.426 pessoas), para 39,6% em 2022 (6.721 pessoas). No caso das pessoas indígenas residindo em áreas rurais, verifica-se que o percentual dentro de terras indígenas também caiu, mas num ritmo menor, de 2,7 p.p., entre 2010 (96%) e 2022 (93,7%).

Analisando o total de pessoas indígenas pela localização do domicílio dentro e fora de terra indígena com a situação do domicílio entre urbano e rural, houve uma redução o do peso relativo de população indígena dentro de terras indígenas com seus domicílios localizadas em contexto urbano, passando de 40,6% em 2010 (7.426 pessoas indígenas), para 35,3% em 2022 (6.721 pessoas indígenas), enquanto aumentava o peso de pessoas indígenas residindo em terras indígenas com situação do domicílio rural, que passou de 59,4% em 2010 (10.870 pessoas indígenas), para 64,7% em 2022 (12.323 pessoas indígenas).

Por outro lado, o peso relativo de pessoas indígenas residindo fora de terras indígenas e em situação urbana teve leve redução, passando de 93,3%, em 2010 (6.295 pessoas indígenas), para 92,6% em 2022 (10.270 pessoas indígenas). Já para o grupo de pessoas indígenas residindo fora de terras indígenas em contexto rural, a proporção passou de 6,7% (452 pessoas indígenas) para 7,4% (826 pessoas indígenas).

Indicadores demográficos mostram melhoria entre a população indígena, sendo mais intenso em áreas urbanas e fora dos territórios indígenas

O Censo 2022 revelou um processo de envelhecimento da população indígena, resultando no aumento da idade mediana, que avançou 5 anos entre 2010 (25) para 2022 (30). Apesar disso, o indicador era 4 anos menor do que o da população residente na Paraíba (34 anos), em 2022.  O indicador de idade mediana é a medida separatriz que utiliza o critério de idade para dividir a população em duas partes iguais, ou seja, é a idade que separa a metade mais jovem da metade mais velha da população.

A pesquisa pontou que a idade mediana era bem maior fora de terras indígenas do que em terras indígenas, tendo essa diferença se acentuado ainda mais nesse período, com o primeiro grupo crescendo 5 anos (passou de 30 para 35 anos, respectivamente), enquanto o outro aumentava em três anos (passou de 24 para 27 anos).  A idade mediana dos indígenas residindo em áreas urbanas (33) era sete anos maior dos que a dos que residiam em áreas rurais (26).

Em relação à alfabetização, vimos em divulgação anterior do Censo 2022, que a taxa de alfabetização das pessoas indígenas com 15 anos ou mais de idade no estado, cresceu 7,4 pontos percentuais (p.p.), tendo passado de 73,8% em 2010, para 81,1% em 2022, respectivamente, sendo esse crescimento superior ao verificado em nível estadual, de quase 6 p.p. (passou de 78,1% para 84%, respectivamente). Mostrou também que a taxa de alfabetização de indígenas em terras indígenas teve crescimento ainda maior do que em relação ao total dos indígenas, pois cresceu 8,6 p.p. (de 69,8%, para 78,4%). Apesar disso, ficou com taxa menor do que a verificada para o total dos indígenas.

Quando se analisa a taxa de analfabetismo dos indígenas no Brasil, por situação urbana e rural do seu domicílio, verifica-se que a taxa de analfabetismo nas áreas rurais reduziu de 32,16% em 2010, para 21,15% em 2022, o que corresponde a 9 pontos percentuais de diferença, em 2010, e a 3 pontos de diferença em 2022, em relação à população residente no rural.  Na Paraíba, a Taxa de alfabetização de indígenas em contexto urbano (83,8%) era superior à dos indígenas em contexto rural (77,3%).

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