População quilombola tem idade média de 29 anos e analfabetismo alto na zona rural
10 de maio de 2025
Redação

A pesquisa constatou que, em situação rural, 50,6% (5.095 pessoas) da população quilombola tinha idade igual ou inferior a 29 anos, sendo essa a idade mediana desse grupo populacional. Já para a parcela que vivia em situação urbana, assim como para o conjunto da população quilombola do estado, a idade mediana era de 30 anos. Para a população total residente na Paraíba, a idade mediana era de 34 anos, tanto em situação urbana como rural. A idade mediana corresponde à idade que separa a metade mais jovem da metade mais velha da população. 

O levantamento identificou um índice de envelhecimento igual a 47para a população quilombola estadual, enquanto nas situações urbana e rural esse indicador foi 45,2 e 48,1, respectivamente. Já a população residente no estado apresentou um índice de envelhecimento de 74,4, sendo de 73,1 em situação urbana e de 79,2 em situação rural. O índice de envelhecimento é o resultado da comparação do número de pessoas com 60 anos ou mais de idade em relação a um grupo de 100 pessoas com idade até 14 anos. Quanto maior o valor do índice de envelhecimento, mais envelhecida é a população.

Taxa de analfabetismo das pessoas quilombolas, na Paraíba, é mais elevada em situação rural

Em 2022, na Paraíba, a taxa de analfabetismo das pessoas quilombolasde 15 anos ou mais de idade era 6,5 pontos percentuais mais elevada nas áreas rurais (29,5%) do que nas áreas urbanas (23%). Além disso, observa-se que é dentro dos Territórios Quilombolas oficialmente delimitados, situados em áreas urbanas do estado, que a taxa de analfabetismo das pessoas quilombolas alcança o nível mais baixo (18,3%). Por sua vez, a taxa mais alta de analfabetismo relativa a esse contingente populacional (31,1%) foi verificada igualmente dentro desses territórios, porém, naqueles localizados em situação rural.   

Quando se compara a taxa de alfabetização da população quilombola paraibana de 15 anos ou mais de idade (73,1%) à da população na mesma faixa etária residente no estado (84%), constata-se uma diferença de 10,9 pontos percentuais (p.p.) em desfavor da população quilombola. Essa desigualdade era mais acentuada em situação urbana (10,1 p.p.), onde os indicadores constatados para as duas populações foram de 77% e 87,1%, respectivamente. Já nas zonas rurais, observou-se uma diferença menor, de 1,4 p.p., a taxa de alfabetização correspondente às pessoas quilombolas sendo de 70,5%, enquanto a da população em geral era de 71,9%.  

Acesso aos serviços de saneamento básico pela população quilombola paraibana é mais precário em localidades rurais

Para fins de análise dos resultados da pesquisa relativamente ao acesso ao saneamento básico, em conformidade com o Plano Nacional de Saneamento Básico – PLANSAB, foram consideradas em condições de maior precariedade as pessoas residentes em domicílios em que:

• A principal forma de abastecimento de água se dá por rede geral de distribuição, poço, fonte, nascente ou mina, encanada até o terreno ou não encanada, e aqueles em que, com ou sem encanamento, a água utilizada é proveniente de carro-pipa, água da chuva armazenada, rios, açudes, córregos, lagos, igarapés ou de outras formas não listadas anteriormente;

• Têm como destinação do esgoto fossa rudimentar, buraco, vala, rio, córrego, mar ou outra forma ou sem esgotamento devido à inexistência de banheiro ou sanitário;

• O lixo não é coletado direta ou indiretamente por serviço de limpeza.

Nesses termos, a pesquisa aponta que, na Paraíba, 49,3% da população quilombola (8.146 pessoas) está submetida a condições de maior precariedade no que se refere ao acesso a água. Desse total, 14,4% (1.172 pessoas) residiam em situação urbana e 85,6% (6.974 pessoas) em situação rural. As demais 8.381 pessoas quilombolas do estado (50,7%) tinham acesso adequado a água, das quais 5.312 (63,4%) viviam em áreas urbanas e 3.069 (36,6%) em áreas rurais. O acesso adequado a água corresponde às situações em que a principal forma de abastecimento é a rede geral de distribuição, poço, fonte, nascente ou mina encanada até dentro do domicílio.  

O Censo Demográfico investigou também a existência de banheiro nos domicílios, sendo constatado que, na Paraíba, as menores proporções de pessoas quilombolas residindo em domicílios com banheiro de uso exclusivo foram registradas entre os moradores quilombolas em áreas rurais (82,5%), sendo os que viviam nessas áreas e fora dos Territórios Quilombolas oficialmente delimitados que apresentaram a taxa mais baixa (80,3%). Por outro lado, foi também esse último contingente populacional que apresentou os maiores percentuais de moradores quilombolas que dispunham apenas de banheiro de uso comum a mais de um domicílio (3,5%), apenas de sanitário ou buraco para dejeções (11,4%) e que não tinham banheiro nem sanitário (4,8%).

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