Pré-candidato quer criar “Lei do Shape Fake” para influenciadores fitness
12 de agosto de 2026
Redação


Abdômen redesenhado, cintura afinada, músculos aumentados e definição criada digitalmente. Com filtros e inteligência artificial cada vez mais realistas, identificar onde termina o resultado do treino e começa a edição ficou mais difícil nas redes sociais. É nesse cenário que Sérgio Fialho, bicampeão Mister Universo e pré-candidato a deputado federal pelo Paraná, defende a criação da chamada “Lei do Shape Fake”, uma proposta para obrigar a identificação de alterações digitais em corpos exibidos em conteúdos comerciais ligados ao universo fitness.

A ideia é que influenciadores, marcas, academias, clínicas e campanhas de suplementação informem de forma visível quando a aparência corporal apresentada tiver sido modificada por filtros, inteligência artificial, edição ou outros recursos capazes de alterar proporção, volume muscular e definição. Para Fialho, a regra não deve proibir ninguém de editar uma foto, mas deixar claro quando aquele corpo não corresponde integralmente ao que foi registrado pela câmera. “O adolescente olha um corpo que não existe, tenta copiar e depois acha que o problema está nele. Isso mexe com autoestima, alimentação e treino e ainda pode empurrar muita gente para atalhos perigosos na tentativa de alcançar uma imagem que foi construída na tela”, afirma.

A discussão já chegou à legislação de outros países. Na Noruega, anúncios com alterações no formato, tamanho ou pele do corpo precisam receber identificação padronizada, regra que também alcança publicidade feita por influenciadores. Na França, fotografias comerciais de modelos cuja silhueta tenha sido afinada ou aumentada digitalmente precisam trazer a indicação de que a imagem foi retocada. A proposta defendida por Fialho adapta essa lógica ao universo fitness e inclui explicitamente o uso de inteligência artificial na manipulação corporal.

Para o bicampeão, a questão fica ainda mais sensível quando uma imagem editada é usada para vender suplemento, método de treino, procedimento estético ou transformação física. “Uma coisa é editar sua foto porque você gosta. Outra é aumentar músculo, diminuir cintura ou criar definição digitalmente e usar aquilo para vender a ideia de que determinado treino, produto ou procedimento entregou aquele resultado. Quem lucra com a imagem do corpo precisa deixar claro o que é físico e o que é digital”, diz.

O avanço da inteligência artificial torna essa diferença menos perceptível. Ferramentas atuais conseguem modificar proporções corporais de maneira muito mais convincente do que os filtros antigos, enquanto vídeos de treino, antes e depois e promessas de transformação física fazem parte da rotina de milhares de jovens nas redes. Para Fialho, a transparência precisa acompanhar essa evolução. “Não quero proibir filtro nem edição. Quero que quem está olhando saiba quando existe manipulação. Shape pode ser inspiração; shape fake não pode ser vendido como realidade”, conclui.

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