Reduzir pobreza. Transformar crescimento em desenvolvimento é o desafio da PB
31 de julho de 2026
Redação

Os indicadores sociais recentemente divulgados pelo IBGE e organizados pelo Ipea revelam um fato que merece ser comemorado: a Paraíba vem apresentando avanços importantes na redução da pobreza. O estado aparece em situação relativamente melhor que parte dos demais estados nordestinos, demonstrando que políticas públicas, programas de transferência de renda, expansão do emprego e crescimento econômico produziram resultados concretos na melhoria das condições de vida da população.

Reconhecer esse avanço é um dever. Afinal, reduzir a pobreza significa devolver dignidade às pessoas, ampliar o acesso à alimentação, à educação, à saúde e criar oportunidades para milhões de brasileiros.

Entretanto, limitar a análise apenas a esse indicador seria insuficiente para compreender o verdadeiro estágio do desenvolvimento paraibano.

O desenvolvimento econômico vai além da redução da pobreza. Ele exige aumento permanente da produtividade, da renda do trabalho, da competitividade das empresas e da capacidade de geração de riqueza. Em outras palavras, um estado não se torna desenvolvido apenas porque diminui o número de pobres; torna-se desenvolvido quando sua população passa a produzir mais, gerar maior valor agregado e conquistar níveis crescentes de renda per capita.

É exatamente nesse ponto que a Paraíba precisa concentrar sua atenção.

Nos últimos anos, o estado apresentou crescimento econômico relevante e, recentemente, surgiram projeções otimistas sobre o desempenho da indústria paraibana. Caso esse crescimento industrial seja estrutural — sustentado por investimentos, inovação, aumento da produtividade e diversificação da base produtiva — estaremos diante de uma excelente oportunidade para acelerar o desenvolvimento estadual.

Mas é preciso cautela.

O crescimento industrial, por si só, não garante desenvolvimento permanente. É necessário verificar se esse desempenho decorre de ganhos efetivos de competitividade, incorporação tecnológica, formação de capital humano, expansão das exportações e aumento da produtividade do trabalho. Caso contrário, poderemos estar diante de um fenômeno conjuntural, incapaz de alterar significativamente a posição relativa da Paraíba no cenário nacional.

Esse é um aspecto que merece reflexão.

Embora tenha avançado na redução da pobreza, a Paraíba ainda figura entre os estados de menor PIB per capita do país e, recentemente, perdeu uma posição nesse indicador. Isso demonstra que parte do crescimento econômico ainda não se converteu, na velocidade desejada, em aumento consistente da renda média da população.

Essa diferença entre crescimento econômico e desenvolvimento precisa ser compreendida.

O crescimento pode decorrer da expansão do consumo, do aumento das despesas públicas ou de fatores conjunturais. Já o desenvolvimento exige transformação estrutural da economia, com maior participação de atividades intensivas em tecnologia, inovação, indústria competitiva, agropecuária moderna, serviços de alto valor agregado e integração às cadeias nacionais e internacionais de produção.

É justamente aí que reside o grande desafio da próxima década.

A Paraíba precisa construir uma estratégia que una inclusão social e desenvolvimento produtivo. Não se trata de substituir uma agenda pela outra, mas de fazê-las caminhar juntas. As políticas sociais cumprem papel fundamental no combate à pobreza e na redução das desigualdades. Porém, elas alcançam sua máxima eficácia quando são acompanhadas por investimentos capazes de elevar a produtividade, criar empregos qualificados, estimular o empreendedorismo, fortalecer a infraestrutura, ampliar as exportações e aumentar a competitividade da economia.

O indicador que melhor sintetiza esse processo é o PIB per capita. Quando ele cresce de forma consistente, significa que a riqueza produzida pela economia aumenta em relação ao tamanho da população, refletindo maior capacidade produtiva e melhores condições para elevar salários, renda e qualidade de vida.

Mais do que celebrar rankings momentâneos, a Paraíba precisa estabelecer metas de longo prazo. O verdadeiro sucesso de uma política de desenvolvimento não será medido apenas pela redução da pobreza, mas principalmente pela capacidade de aproximar a renda média dos paraibanos daquela observada nos estados mais desenvolvidos do Brasil.

Reduzir a pobreza continuará sendo uma prioridade permanente. Mas o próximo passo é ainda mais ambicioso: construir uma economia capaz de gerar riqueza de forma sustentável, elevar continuamente o PIB per capita e criar oportunidades para que cada nova geração viva melhor do que a anterior.

Esse é o caminho que transforma crescimento em desenvolvimento e desenvolvimento em prosperidade duradoura.

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Por Rômulo Montenegro

Rômulo Montenegro é advogado, professor universitário, consultor empresarial, produtor rural, ex-Secretário de Estado da Agricultura e Pecuária da Paraíba, ex-Presidente do Conselho Nacional dos Secretários de Agricultura (CONSEAGRI) e Diretor Regional da Academia Latino-Americana do Agronegócio (ALAGRO).

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