Uma publicação do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) e ONU Mulheres revela que aproximadamente 50 mil mulheres e meninas foram mortas por parceiros íntimos ou familiares em todo o mundo ao longo de 2024. O número representa cerca de 60% das 83 mil vítimas femininas de homicídio registradas no período .
O estudo foi lançado durante o Seminário STJ-TJPB sobre Violência contra a Mulher, promovido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), em parceria com o Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB), marcando a primeira divulgação pública do documento no país. Intitulado Feminicídios em 2024: Estimativas globais de feminicídios cometidos por parceiros íntimos e familiares, o relatório traz um panorama mundial da violência letal contra mulheres.

“O feminicídio segue um desafio persistente para o sistema de segurança pública e Justiça criminal, não só no Brasil, mas em todo o mundo. É um desafio que exige respostas coordenadas baseadas em evidências e centradas na produção das vítimas”, afirmou Ana Carolina Fleury, coordenadora de Projetos do UNDOC.
O presidente do STJ, ministro Herman Benjamin, destacou o simbolismo do lançamento do relatório ocorrer na Paraíba. “Estamos aproveitando um evento no meu estado, com a presença de cinco ministros do Superior Tribunal de Justiça para fazer o lançamento do relatório. Este documento não foi divulgado ainda nos outros estados. Ele traz os números da violência doméstica e violência contra as mulheres no mundo todo, não apenas no Brasil. Mas não vamos deixar passar ao largo o fato que para nós nos dá uma profunda tristeza e, ao mesmo tempo, vergonha. É que o Brasil não está bem nesta fotografia global da violência contra as mulheres”, afirmou.
O estudo mostra que o feminicídio segue sendo uma realidade global, atingindo todas as regiões. Outro dado relevante é que a maioria dos assassinatos ocorre dentro do ambiente doméstico. Nas Américas, 69% das vítimas foram mortas por parceiros íntimos; na Europa, esse percentual chega a 64%. O relatório destaca que esse cenário reforça a necessidade de políticas públicas voltadas à prevenção da violência doméstica e à proteção de mulheres em relações íntimas e familiares.
O documento também chama atenção para a limitação de dados sobre feminicídios fora do contexto familiar. Embora alguns países tenham avançado na adoção de metodologias para mensurar esse tipo de crime, ainda não há informações suficientes para avaliar a dimensão global do problema.
Jornalista, radialista e advogado, formado na UFPB, Hermes de Luna tem passagens nos principais veículos de comunicação da Paraíba. É MBA em Marketing Estratégico e em mídias digitais. Apresentador e editor de TV e rádio, também atuou na editoria de portais e sites do estado. Ganhador de vários prêmios de jornalismo, na Paraíba e no Brasil.