O segundo semestre começa sob uma nova lógica no Brasil: à medida que o país entra em “modo eleitoral”, as expectativas passam a influenciar decisões políticas, econômicas e regulatórias antes mesmo que mudanças formais ocorram. É essa mudança de comportamento, e não apenas a evolução dos indicadores, que deve marcar os próximos meses, segundo a nova edição do Risco Político Brasil, relatório mensal da área de Public Affairs da consultoria global Burson, divulgado hoje. Estruturado em cinco eixos, o relatório combina dados oficiais e metodologia própria de análise para ajudar as empresas a anteciparem movimentos no tabuleiro político brasileiro.
Embora a economia apresente fundamentos relativamente favoráveis, como inflação em desaceleração, mercado de trabalho resiliente e expectativa de redução gradual dos juros, o levantamento da Burson mostra que empresas e investidores passam a incorporar um novo componente às suas decisões: a evolução do cenário político. A credibilidade das propostas econômicas e a percepção sobre responsabilidade fiscal ganham peso crescente na formação das expectativas, podendo influenciar juros, custo de capital e decisões de investimento antes mesmo de qualquer mudança efetiva na política econômica.
O ambiente eleitoral também tende a influenciar o comportamento de consumidores e agentes políticos, segundo o relatório. A confiança das famílias deve continuar ligada ao emprego, à renda e ao custo de vida, enquanto, no Congresso, a proximidade das eleições pode tornar a agenda legislativa mais seletiva e elevar o custo da articulação política. Nesse contexto, governabilidade, economia e confiança deixam de ser temas independentes e passam a produzir efeitos uns sobre os outros.
| “O principal desafio do segundo semestre não será interpretar indicadores isoladamente, mas entender como política, economia e expectativas passam a interagir. Em períodos eleitorais, mudanças de percepção costumam produzir efeitos concretos antes mesmo das decisões formais”.Eduardo Galvão, diretor de Public Affairs do Grupo Burson |
Cinco alertas que se destacam
Um retrato completo do risco político
Estruturado em cinco eixos: Governança e Instituições, Condições Socioeconômicas, Investimentos, Conflitos e Desordem Social e Geopolítica, o Risco Político Brasil é uma publicação mensal do Grupo Burson que analisa os principais fatores políticos, econômicos, regulatórios, sociais e geopolíticos com potencial de influenciar o ambiente de negócios no país. A análise combina indicadores, evidências e metodologias próprias de inteligência, como construção de cenários, matrizes de risco e validação de hipóteses, para apoiar a tomada de decisão de empresas e lideranças.
Entre os destaques adicionais está o mapeamento de uma nova fronteira de oportunidade: o potencial de até R$ 192,1 bilhões em impacto no PIB e 750 mil empregos caso o Brasil avance na exploração e no processamento doméstico de minerais críticos, desde que consiga equacionar riscos territoriais, regulatórios e de segurança digital que também ganham peso neste ciclo eleitoral.
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Jornalista, radialista e advogado, formado na UFPB, Hermes de Luna tem passagens nos principais veículos de comunicação da Paraíba. É MBA em Marketing Estratégico e em mídias digitais. Apresentador e editor de TV e rádio, também atuou na editoria de portais e sites do estado. Ganhador de vários prêmios de jornalismo, na Paraíba e no Brasil.