Ricardo Coutinho nega acusações após confusão no DF; Polícia Civil apura o caso
3 de novembro de 2026
Redação

Deputado federal eleito prestou depoimento após relatos envolvendo crianças perto de centro esportivo. Defesa afirma que ele sofreu ameaças e tentativa de extorsão.

O ex-governador da Paraíba e deputado federal eleito Ricardo Coutinho (PT) prestou depoimento após uma confusão nas proximidades da Vila Olímpica de Santa Maria, no Distrito Federal, na noite de segunda-feira (2). Moradores relataram uma situação envolvendo crianças e um homem dentro de um veículo. Ricardo negou as acusações e afirmou que foi vítima de ameaças.

O boletim da Polícia Civil registra a ocorrência como “em apuração”, sem conclusão sobre os fatos. O procedimento foi encaminhado à 33ª Delegacia de Polícia, responsável pela investigação na região.

Segundo os depoimentos, adultos foram avisados por crianças de que um homem estaria piscando as luzes de um carro e fazendo gestos de coração com as mãos. O policial militar responsável pelo atendimento informou que o chamado recebido pela equipe mencionava também que o homem estaria convidando crianças a entrar no veículo. Essa informação aparece no documento como relato repassado à polícia, e não como conclusão da investigação.

Em depoimento, Ricardo declarou que havia levado o enteado para uma escola de futebol. Disse que, após procurar uma vaga, estacionou em um terreno próximo ao complexo esportivo e permaneceu alguns instantes dentro do carro procurando um papel.

O ex-governador afirmou que não percebeu crianças ao redor e que as luzes piscaram automaticamente quando acionou o travamento do veículo. Segundo ele, o questionamento sobre sua conduta ocorreu depois, quando já estava na arquibancada e foi abordado por um adolescente exaltado.

Defesa denuncia ameaças e nega prisão

Em nota divulgada na terça-feira (3), o advogado Igor Suassuna de Vasconcelos afirmou que Ricardo sofreu uma tentativa de golpe e extorsão. Segundo a defesa, um jovem o abordou de maneira agressiva e fez ameaças, levando o ex-governador a chamar a Polícia Militar.

A defesa sustenta que Ricardo foi à delegacia para denunciar as ameaças e prestar esclarecimentos, retornando depois para casa com a família. Também nega que tenha ocorrido prisão e anunciou medidas judiciais contra publicações que considera falsas, difamatórias e caluniosas.

Há divergência sobre as circunstâncias da ida à delegacia. Enquanto a defesa afirma que Ricardo compareceu por iniciativa própria, o histórico do boletim informa que o policial militar o levou para apresentar a situação à autoridade policial. O documento analisado não registra prisão.

O relato encaminhado à imprensa, atribuído à Polícia Militar, mencionou supostos gestos obscenos e que Ricardo teria se apresentado como policial. Essas alegações não aparecem no boletim da Polícia Civil fornecido à reportagem, que descreve relatos de gestos em formato de coração e luzes piscando.

Damares pede proteção às crianças e investigação

Nas redes sociais, a senadora Damares Alves afirmou que acompanhará o caso. Ela defendeu que as crianças sejam ouvidas de forma adequada, protegidas de exposição e que os relatos sejam investigados com rigor. Também ressaltou o direito à defesa e disse que não se deve condenar antecipadamente.

Ricardo, por sua vez, afirmou em publicação que solicitou imagens de câmeras de segurança para contribuir com o esclarecimento do episódio. No registro policial, consta que fotografias do veículo foram anexadas a pedido do advogado.

O boletim reúne as versões dos envolvidos e não apresenta conclusão sobre eventual prática de crime. As acusações dos moradores e a alegação de tentativa de extorsão feita pela defesa permanecem sob apuração.

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