Ricardo diz que Brasil fica mais pobre sem Campos
13 de agosto de 2014
Redação

O governador Ricardo Coutinho lamentou, nesta quarta-feira (13), a morte do ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos, vítima de um acidente aéreo na cidade de Santos (SP). Durante entrevista coletiva realizada na Granja Santana, o governador da Paraíba falou sobre a trajetória do político, de quem era amigo, e ressaltou as qualidades do gestor que amava o Brasil. “A vida, às vezes, nos reserva algumas surpresas que são desagradáveis. Essa foi muito ruim para o país, foi muito ruim para as pessoas que sabem a importância de acreditar no Brasil. Eduardo dizia sempre: Não vamos abrir mão de acreditar no Brasil. Era um grande homem”, lembrou Ricardo.

O governador se emocionou ao recordar dos vários momentos ao lado de Eduardo Campos. “Eduardo cumpriu sua rápida passagem pela Terra de uma forma digna, ousada e transformadora. Ele tinha uma visão de região e de nação. Só os grandes homens conseguem fazer isso. Nós cultivamos uma relação pessoal muito próxima. Eduardo era um grande contador de causos. Ainda estou consternado. O Brasil fica muito mais pobre, a política fica muito mais pobre”, lamentou o governador.

Ricardo Coutinho prestou solidariedade à família do ex-governador de Pernambuco e às famílias das demais vítimas do acidente. “É um momento muito triste para todos nós. Meu mais profundo pesar e solidariedade a Renata [viúva de Eduardo Campos], aos filhos e também aos familiares dos outros ocupantes do avião”, finalizou o governador.

O governador Ricardo Coutinho suspendeu as atividades administrativas até esta quinta-feira (14) e decretou luto oficial por três dias no Estado.

Leia, na íntegra, a nota emitida pelo governador do Estado: 

“A vida nos impõe, naturalmente, muitos dissabores ao longo de nossa caminhada. Mas tem dor que dói mais forte. Tem dor que dói mais fundo. Que deixa um vazio. Essa é uma delas. Perder um amigo confidente, um companheiro político, uma referência na visão desenvolvimentista da gestão pública, de uma maneira tão trágica e precoce, impõe uma dor que não está catalogada. Que não se classifica.

Eduardo Campos reacendia em mim, pessoalmente, e certamente em tantos outros brasileiros, a crença na nova política, na expectativa de um Brasil renovado e na existência de quadros capazes de assegurar nosso futuro. Qualificado para transformar, deixa ainda mais órfão um país já tão carente de uma nova geração de políticos transformadores.

Um jovem determinado. Inteligente. Preparado. Decidido. E, principalmente, corajoso. Virtudes do velho Miguel Arraes cuja genética não interrompeu ao deixá-las transcorrer de veia em veia até chegar nele próprio.

Foi o seu pulso forte que assegurou sem percalços minha transição partidária para o PSB. Gesto primeiro de nossa relação que jamais esquecerei. E foi a clareza de suas ideias e seu olhar vanguardista que me fizeram ter a convicção de que, ao seu lado, estávamos no caminho certo.

No seu jeito de encarar a gestão pública, perco um irmão siamês.

Plantamos juntos, cada qual em sua trincheira, eu prefeito de João Pessoa, ele ministro da Ciência e Tecnologia, eu governador da Paraíba, ele, governador de Pernambuco, desde a Estação Ciência Cabo Branco até a composição conjunta do complexo automotivo que se desenvolve no Litoral Sul da Paraíba em razão da fábrica da Fiat, instalada em Pernambuco, próximo da divisa com nosso estado. E cultivamos muitos e muitos outros sonhos. Acordados, sonhamos muitas vezes por um Nordeste mais pujante, mais autônomo e inserido na rota do crescimento econômico e social.

E tive a honra de compartilhar de seu imenso desejo de poder transformar as coisas. Pude rever isso recentemente quando ele esteve na Paraíba, após decidir modificar toda a agenda de campanha para conhecer o Cidade Madura, em João Pessoa, um condomínio exclusivo para idosos, cujo projeto ele inseriu em seu plano presidencial de governo.

Eduardo era um transformador por natureza.

Por isso, acredito que mesmo tendo sido arrancado violentamente de nosso convívio na esfera física, seu poder transformador continuará guiando nossos passos, continuará brotando em nossos corações e mentes, fomentando uma vontade incrível de seguir em frente, movidos pela esperança que o moveu durante todos esses anos. 

Solidarizo-me com toda sua família, com os familiares das outras vítimas, com os nossos irmãos pernambucanos, mais uma vez órfãos de um grande líder, num mesmo 13 de agosto em que perderam o velho Arraes, e com seus milhares de admiradores Brasil afora.

Adeus, companheiro. Tenho certeza de que você foi embora, assim, tão rápido, sem se despedir porque não queria que alguém pensasse que você desistiu. Pode ter certeza, de onde estiver, que não vamos desistir. Nem do Brasil. Nem de você.”

 

Compartilhe: