O saneamento básico desponta como um dos segmentos mais relevantes da infraestrutura brasileira, com potencial de combinar investimentos de larga escala, retorno econômico e impacto social direto. É o que aponta o estudo “Saneamento Básico: Investimento para Transformar o Brasil”, desenvolvido pelo Itaú BBA em parceria com a Inter.B Consultoria, que estima em cerca de R$ 1,2 trilhão, em valores atuais, o estoque de capital necessário para universalizar o acesso à água tratada e ao esgotamento sanitário no país.
O levantamento traça um panorama inédito da infraestrutura de saneamento no país, mapeando investimentos já contratados, necessidades futuras de capital e os impactos macroeconômicos associados à expansão dos serviços.
“O setor atingiu um grau de maturidade que viabiliza uma discussão muito mais qualificada sobre financiamento e planejamento de longo prazo. Pela primeira vez, conseguimos dimensionar com maior precisão o tamanho do desafio, a trajetória dos investimentos e os caminhos para a universalização. Isso reduz incertezas e amplia a capacidade de mobilização de capital. O avanço observado nos últimos anos mostra que o Marco Legal foi capaz de criar um ambiente mais favorável aos investimentos e posicionar o setor em uma nova etapa de desenvolvimento”, ressalta Eduardo Corsetti, co-head da diretoria de Infraestrutura & Energia do Itaú BBA.

O estudo mostra que esse movimento já está em curso. O pipeline contratado e anunciado prevê R$ 201,5 bilhões em investimentos entre 2026 e 2030, com pico de desembolsos de R$ 44,2 bilhões em 2027. Os números indicam que a fase mais intensa do atual ciclo de expansão deverá ocorrer nos próximos anos, concentrando uma parcela significativa dos recursos previstos para ampliar a cobertura dos serviços.
Espaço para novos investidores
A análise estima que o pipeline atualmente previsto representa, em média, R$ 40,3 bilhões por ano, enquanto seriam necessários R$ 95,2 bilhões anuais para que a universalização seja alcançada até 2033. Essa diferença evidencia grande oportunidade para novos operadores, investidores e estruturas de financiamento.
Segundo o estudo, o setor reúne características tradicionalmente valorizadas pelos investidores, como demanda resiliente, contratos de longo prazo, previsibilidade de receitas e elevado impacto socioeconômico. Nesse contexto, o Itaú BBA atua como um dos principais articuladores entre capital e projetos de infraestrutura, conectando investidores, empresas e oportunidades de desenvolvimento em um setor essencial para a competitividade e a qualidade de vida no país.
“Hoje temos a combinação entre necessidade de investimento claramente identificada, projetos estruturados e benefícios amplamente conhecidos. O desafio agora é garantir que o setor continue ampliando sua capacidade de atrair capital de diferentes fontes, de forma compatível com a magnitude dos recursos necessários para a universalização. Antecipar investimentos em saneamento significa também antecipar os benefícios da universalização e, assim, transformar uma necessidade histórica em uma alavanca de desenvolvimento econômico e social”, ressalta Rogério Yamashita, responsável pela área de infraestrutura em project finance no Itaú BBA.
Impacto econômico
A universalização do saneamento também pode produzir efeitos sobre a economia brasileira. O estudo estima que a medida tem potencial para elevar o PIB potencial do país entre 0,36 e 0,46 ponto percentual no médio e longo prazo, por meio de ganhos associados à expansão do capital físico, à melhora dos indicadores de saúde e ao avanço da educação.
O retorno econômico do investimento reforça esse potencial. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que cada dólar investido em saneamento gera, em média, US$ 4,30 em benefícios econômicos. No Brasil, a relação benefício-custo é especialmente favorável no esgotamento sanitário, chegando a 8,9 vezes o valor investido, enquanto no abastecimento de água essa relação é de 2,5 vezes.
“O saneamento básico faz parte de um conjunto de setores de infraestrutura cujos investimentos apresentam ganhos simultâneos no bem-estar das famílias e na competitividade das empresas. O investimento e a melhoria dos serviços levam a uma diminuição da taxa de mortalidade e morbidade por doenças de veiculação hídrica, ampliando a capacidade de aprendizado dos jovens, reduzindo o absenteísmo no trabalho, além de aumentar a produtividade dos trabalhadores. Em síntese, o saneamento básico é um dos investimentos com maior impacto no capital humano que o país pode fazer. De modo mais geral, a taxa social de retorno nesse setor é uma das mais elevadas entre todos os investimentos em infraestrutura”, afirma Claudio Frischtak, sócio-fundador da Inter.B Consultoria.
O levantamento também identifica importantes efeitos redistributivos. Entre 2016 e 2024, a cobertura de esgoto avançou dez vezes mais entre os 20% mais pobres da população do que entre os 20% mais ricos, evidenciando o potencial da infraestrutura para reduzir desigualdades e ampliar o acesso a serviços essenciais em regiões historicamente menos atendidas. Os impactos são observados em diferentes dimensões, incluindo saúde, desempenho educacional, produtividade e qualidade de vida.
O dado mostra que o atual ciclo de expansão vem alcançando de forma mais intensa nas camadas de menor renda, reforçando o papel do saneamento como instrumento de inclusão e desenvolvimento. Nesse contexto, a universalização deixa de ser apenas uma meta regulatória e passa a representar uma oportunidade de desenvolvimento socioeconômico
Jornalista, radialista e advogado, formado na UFPB, Hermes de Luna tem passagens nos principais veículos de comunicação da Paraíba. É MBA em Marketing Estratégico e em mídias digitais. Apresentador e editor de TV e rádio, também atuou na editoria de portais e sites do estado. Ganhador de vários prêmios de jornalismo, na Paraíba e no Brasil.