Subnotificação esconde dimensão das agressões e Paraíba registra alta de feminicídios
27 de agosto de 2026
Redação

A violência contra a mulher tem uma dimensão muito maior do que aquela que aparece nos boletins de ocorrência e nas estatísticas policiais. A nova atualização do Mapa Nacional da Violência de Gênero, mantido pelo Observatório da Mulher contra a Violência (OMV), do Senado Federal, revela que quase 29 milhões de brasileiras sofreram violência doméstica ou familiar em um período de 12 meses. A realidade da Paraíba acompanha esse cenário de preocupação, com crescimento expressivo de diferentes formas de violência e um salto nos feminicídios registrados em 2025. Novo Mapa Nacional da Violência de Gênero revela que quase 29 milhões de brasileiras sofreram violência em 12 meses; na Paraíba, feminicídios cresceram quase 38% em 2025 e violência psicológica avançou 41%

Os dados nacionais fazem parte da 11ª edição da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, realizada pelo Instituto DataSenado e pelo Observatório da Mulher contra a Violência. O levantamento ouviu 21.641 mulheres com 16 anos ou mais, entre 16 de maio e 8 de julho de 2025, em todo o país.

O principal alerta está na chamada violência invisível. Quando perguntadas diretamente se sofreram violência doméstica ou familiar nos 12 meses anteriores à pesquisa, apenas 4% das brasileiras responderam que sim. Mas, quando as entrevistadoras apresentaram situações concretas de agressão — sem utilizar inicialmente a palavra violência —, 33% disseram ter passado por pelo menos uma dessas experiências.

A imagem atual não possui texto alternativo. O nome do arquivo é: bd21a731ba677eed4d82c22fca07a0e1.jpeg

Isso significa que aproximadamente 29 milhões de mulheres vivenciaram situações compatíveis com violência doméstica ou familiar, mas grande parte delas não identificou espontaneamente o que sofreu como uma forma de violência.

Desse universo, aproximadamente 24,97 milhões, ou 87% das vítimas, relataram situações concretas de violência sem reconhecê-las ou nomeá-las espontaneamente dessa maneira. A diferença ajuda a dimensionar uma das maiores dificuldades enfrentadas pelo poder público: a subnotificação e, antes dela, a própria dificuldade da vítima em reconhecer determinadas condutas como agressão.

O distanciamento entre a violência sofrida e a chegada da vítima aos órgãos de proteção é ainda maior. Segundo o levantamento, 26,84 milhões de mulheres, equivalentes a 93,6% das vítimas estimadas, ficaram na lacuna entre a violência vivenciada e a busca por proteção policial. Entre as mulheres que reconheceram ter sofrido violência, cerca de 1,87 milhão não procurou delegacia nem acionou o Ligue 180 ou o telefone 190.

A pesquisa também mostra que a violência não se limita à agressão física. Foram investigadas 13 situações de violência física, psicológica, sexual, moral e patrimonial, além de formas de violência digital. Em todo o Brasil, cerca de 8,8 milhões de mulheres, 10% da população feminina com 16 anos ou mais, sofreram algum tipo de violência digital em 12 meses.

Outro aspecto preocupante é a presença de testemunhas. Segundo o DataSenado, 71% das agressões declaradas ocorridas nos 12 meses anteriores foram presenciadas por uma ou mais pessoas. Em 22% dos episódios havia apenas crianças como testemunhas.

Compartilhe: