A violência contra a mulher tem uma dimensão muito maior do que aquela que aparece nos boletins de ocorrência e nas estatísticas policiais. A nova atualização do Mapa Nacional da Violência de Gênero, mantido pelo Observatório da Mulher contra a Violência (OMV), do Senado Federal, revela que quase 29 milhões de brasileiras sofreram violência doméstica ou familiar em um período de 12 meses. A realidade da Paraíba acompanha esse cenário de preocupação, com crescimento expressivo de diferentes formas de violência e um salto nos feminicídios registrados em 2025. Novo Mapa Nacional da Violência de Gênero revela que quase 29 milhões de brasileiras sofreram violência em 12 meses; na Paraíba, feminicídios cresceram quase 38% em 2025 e violência psicológica avançou 41%
Os dados nacionais fazem parte da 11ª edição da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, realizada pelo Instituto DataSenado e pelo Observatório da Mulher contra a Violência. O levantamento ouviu 21.641 mulheres com 16 anos ou mais, entre 16 de maio e 8 de julho de 2025, em todo o país.
O principal alerta está na chamada violência invisível. Quando perguntadas diretamente se sofreram violência doméstica ou familiar nos 12 meses anteriores à pesquisa, apenas 4% das brasileiras responderam que sim. Mas, quando as entrevistadoras apresentaram situações concretas de agressão — sem utilizar inicialmente a palavra violência —, 33% disseram ter passado por pelo menos uma dessas experiências.

Isso significa que aproximadamente 29 milhões de mulheres vivenciaram situações compatíveis com violência doméstica ou familiar, mas grande parte delas não identificou espontaneamente o que sofreu como uma forma de violência.
Desse universo, aproximadamente 24,97 milhões, ou 87% das vítimas, relataram situações concretas de violência sem reconhecê-las ou nomeá-las espontaneamente dessa maneira. A diferença ajuda a dimensionar uma das maiores dificuldades enfrentadas pelo poder público: a subnotificação e, antes dela, a própria dificuldade da vítima em reconhecer determinadas condutas como agressão.
O distanciamento entre a violência sofrida e a chegada da vítima aos órgãos de proteção é ainda maior. Segundo o levantamento, 26,84 milhões de mulheres, equivalentes a 93,6% das vítimas estimadas, ficaram na lacuna entre a violência vivenciada e a busca por proteção policial. Entre as mulheres que reconheceram ter sofrido violência, cerca de 1,87 milhão não procurou delegacia nem acionou o Ligue 180 ou o telefone 190.
A pesquisa também mostra que a violência não se limita à agressão física. Foram investigadas 13 situações de violência física, psicológica, sexual, moral e patrimonial, além de formas de violência digital. Em todo o Brasil, cerca de 8,8 milhões de mulheres, 10% da população feminina com 16 anos ou mais, sofreram algum tipo de violência digital em 12 meses.
Outro aspecto preocupante é a presença de testemunhas. Segundo o DataSenado, 71% das agressões declaradas ocorridas nos 12 meses anteriores foram presenciadas por uma ou mais pessoas. Em 22% dos episódios havia apenas crianças como testemunhas.
Jornalista, radialista e advogado, formado na UFPB, Hermes de Luna tem passagens nos principais veículos de comunicação da Paraíba. É MBA em Marketing Estratégico e em mídias digitais. Apresentador e editor de TV e rádio, também atuou na editoria de portais e sites do estado. Ganhador de vários prêmios de jornalismo, na Paraíba e no Brasil.